Há dias em que arranjar feijão verde tem potencial para ser um dos melhores programas do mundo!
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6.25.2011
2.22.2011
Estevas
Para quem se preocupa com o estado do meu nariz, voltou a cheirar a esterco à porta de minha casa. Enviem-me uma equipa especializada para tratar do assunto, por favor!
Quem me dera que me cheirasse a campo cada vez que entro ou saio de casa, ao invés deste cheiro pestilento que parece piorar a cada dia!
2.18.2011
Ele há cada ideia ...
Há ideias brilhantes que me espantam pela improbabilidade e pelos subterfúgios que o autor engendra para as justificar. Aqui ficam alguns exemplos:
- Deitar abaixo um olival centenário (por contraposição a ir substituindo as árvores progressivamente), esquecendo-se que as oliveiras demoram anos a crescer e que o terreno em causa se tornaria um descampado. Sob a desculpa de o olival já não dar rendimento (que nunca foi a questão principal), esconde-se um erro crasso. Sempre será melhor o clássico argumento do "fica para os meus netos".
- Decidir instalar aquecimento central no Inverno, nas hostis paragens de Trás-os-Montes, quando tal implica ficar sem lareira alguns dias e neva na Serra de Bornes. A única explicação plausível para esta ideia peregrina é existir um irrecusável desconto na instalação do material nesta agreste época do ano, o que, mesmo assim, não me parece atractivo suficiente para o homem médio.
- Usar óculos de sol (graduados) em substituição dos "de ver" enquanto estes ficam no oculista para se trocarem as lentes. A ideia até poderia soar aceitável não estivéssemos no Inverno, com tempo encoberto e chuvoso, e não anoitecesse às seis da tarde - já para não falar que a ideia seria sempre descabida para quem passa o dia a ler e dispensa os óculos para poucas tarefas. A menos que se quisesse animar aquele que vê mal, mostrando-lhe que não ver de todo é bem pior (como se o miópe, que vê a sua graduação aumentar todos os anos mais do que desejaria, não o soubesse), não há qualquer explicação para esta sugestão.
Por agora termino esta lista de ideias insólitas, certa, porém, de que mais haverá para aqui relatar.
2.06.2011
O Raio da Constipação!
Cada vez que acordo às seis da manhã para tomar um comprimido apercebo-me de que a constipação deve ser das doenças mais estúpidas e não dignificadas que por aí andam: se, por um lado, não constitui motivo suficiente para faltar ao trabalho - vá, isso é só uma constipaçãozinha! - não deixa de ter consequências altamente debilitantes. Veja-se: a minha pegada ecológica aumentou exponencialmente não só devido à necessidade de um aquecedor constantemente ligado, como aos vinte pacotes de lenços que diariamente consumo; farto-me de pôr creme mas nenhum é suficientemente eficaz para neutralizar o cieiro; já para não falar da hiper-sensibilidade à luz que faz com que pareça que ando a chorar todos os amores findos.
O ano passado, com o espectro da Gripe A, o constipado ainda podia aproveitar os sintomas para afastar umas quantas pessoas no autocarro - o olhar de pânico nas suas caras não me deixava propriamente feliz, mas não posso dizer que me desagradava aquela espécie de "terra de ninguém" que surgia à minha volta, permitindo-me uma viagem mais tranquila.
Todavia, este ano, o constipado já nem constitui um perigo público e, como tal, ninguém o respeita: não beneficia de isenções, não tem direito a um lugar no autocarro e ainda leva com os olhares de gozo dos demais que (ainda) não foram apanhados pela dita constipação.
Daqui concluo, em resumo, que a constipação, dada a sua irrelevância e a curta duração, não é bem uma doença, mas uma espécie de mimo, só curável com caldinhos quentes e festinhas, com um pouco de chantagem inofensiva à mistura.
Assim, é um desperdício estar constipado quando não se tem ninguém por perto para ouvir os nossos espirros mimalhos e aconchegar-nos o cobertor, essa que é a única regalia do constipado.
1.19.2011
12.27.2010
Naïveté II
Por algum motivo que continuo a ignorar, desde dia 23 de Dezembro que cheira mal à porta do meu prédio. O cheiro tem-se transmutado e agora atingiu o ponto de não retorno em que a entrada mais parece a antecâmara de uma bela pocilga, com um cheiro que lembra uma mistura entre palha e comida a decompor-se - como cheiro complexo que é, não me vou alongar na sua definição e deixo espaço à vossa imaginação.
Esse cheiro transporta-me para as férias na aldeia dos meus avós ... só que aí eu podia escolher a que distância queria estar dos porcos e dos seus perfumes, enquanto que aqui sou submetida à tortura cada vez que quero contactar com o mundo exterior!
Decidi dedicar-me aos lavores - não que o odor pestilento penetre na habitação, mas intriga-me e não quero dedicar-me pensar na sua origem (se cheirasse simpesmente a fossa, até era compreensível ... volta meia volta esta cidade adquire esse cheirinho, agora a pocilga?!) - e resignei-me a suster a respiração cada vez que tenho de cruzar a porta.
12.18.2010
Caça ao Apartamento
A par da quadra natalícia, sem eu saber bem porquê, iniciou-se por estas bandas a saga da caça ao imóvel!
Revela, aliás, algumas semelhanças com a verdadeira abertura da época de caça:
Revela, aliás, algumas semelhanças com a verdadeira abertura da época de caça:
-inexiste uma razão suficientemente precisa e determinável para que comece num dia e não no outro (num dia estava tudo muito bem - eu a pensar pôr um ponto de ordem no caos que por aqui se vive - no outro estamos a visitar um T3 fantástico e a sermos bombardeados com 200 anúncios de apartamentos diversos);
-o território de pesquisa é limitado: centro, mesmo centro, da cidade (aparentemente, mudar, nem que seja para o quarteirão abaixo, é bom);
-todos procuram subverter as boas práticas, sem que haja qualquer respeito por horários (o progenitor deita-se tarde e a más horas porque está em frente ao computador a analisar o mercado, dorme mal a equacionar as hipóteses disponíveis e acorda as 7:30h a falar no assunto);
-espoleta a agressividade que há em nós: procuramos descredibilizar os argumentos do outro ou limitamo-nos a manipulá-lo, sem que ele perceba, para que espontaneamente adopte a nossa posição (basicamente, deixamo-lo enrolar-se e meter o pé na poça para perceber que tínhamos razão, pelo prazer de fazer o olhar de "eu bem te disse"); e
-no fim do dia, damos por nós frustrados porque falámos demais, não conseguimos chegar a um acordo e não caçámos nada que valha realmente a pena e sobre que pudesse haver consenso.
Para simplificar:
-o progenitor chega a casa dizendo ter visto um T3 espectacular - o que é inteiramente verdade, facto que me irrita profundamente - mas, entretanto, já se virou para os T1's e, de acordo com as últimas informações, equaciona agora a possibilidade de investir numa casa para recuperar (aprecio pessoas que são dinâmicas e capazas de se adaptarem aos condicionalismos, mas esta rapidez transcende-me ... serei também eu assim tão confusa?!);
-a progenitora apenas quer sair desta casa por achar que, daqui para a frente, ela dará cada vez mais problemas e duvida que a nossa vida possa caber num T1;
-eu só queria arrumar os livros, começar na estante da sala e terminar no escritório, pôr umas prateleiras no meu quarto e tentar redecorá-lo ... mas o bicho da mudança está descontrolado por estes lados! Continuo sem perceber muito bem por que é que para o progenitor a tipologia T2 parece inexistir, mas, quanto a este problema, procurarei utilizar a técnica da manipulação.
A única forma de me abstrair desta loucura é fazer as prendas para as primas mais novas, daí os últimos dias terem sido tão produtivos.
12.16.2010
Naïveté
A confusão do Natal já se instala, já é impossível descer a Rua da Alegria sem se demorar pelo menos 20 minutos - isto se não se cair no erro de ir de carro até aos Poveiros, escolha que pode levar a que o tempo do trajecto ultrapasse a meia hora - o que deixa o ser humano médio sensível e irritadiço.
Sábado à tarde na baixa é impossível lanchar numa pastelaria decente e, se por golpe de sorte conseguimos lá entrar, já todos os bolos foram rapinados, as caixas das lojas têm filas intermináveis, as pessoas tendem a abalrroar-me e os bebés choram histericamente por não lhes darem atenção.
Face a esta selva natalícia, opto por ficar em casa a fazer presentes para as crianças da família.
12.13.2010
Sopas
Decidi que precisava de aprender a fazer um prato novo ... canso-me facilmente de fazer sempre a mesma receita (mesmo que saiba que, desse modo, há mais probabilidades de ela sair melhor!). Mas a principal razão para investir na sopa de cogumelos foi não querer perder terreno para o progenitor!
Assim, decidi pesquisar e descobri que (lembrem-se que para mim 3 casos são suficientes para elaborar um estudo fidedigno): cerca de 60% das receitas incluem natas (arredondo para baixo porque havia mais duas ou três resceitas que não cheguei a ver), algumas almas peregrinas atrevem-se a fazer sopas com cogumelos enlatados e não encontrei a receita do progenitor que levava croutons (o que me leva a pensar: onde é que ele desencantou aquilo? Por fim, percebo que ainda bem que desisti dos croutons porque, francamente, não gosto de nada que envolva frigideiras e azeite ... é uma mania).
Esta foi a primeira tentativa ... denotou algumas deficiências, mas julgo que a culpa se ficou a dever ao autor da mesma. De referir que todos aqueles que provaram o manjar continuam vivos e de boa saúde, apesar da quantidade exagerada de cebola que se vê a boiar no prato.
A segunda tentativa incluiu um certo grau de inovação que é como quem diz: o vermute foi substituído por aguardente, a cebola (parcialmente) por courgette e passei a base da sopa antes de juntar os cogumelos e as natas, cuja quantidade foi reduzida.
Pontos comuns: continuam a inexistir vítimas dos meus cozinhados!
No final do jantar, era ver os sorrisos nos rostos dos familiares, sobretudo dos progenitores, quer por me ter esforçado para preparar tal repasto, quer por estar a dar continuidade ao trabalho de recolecção de que eles tanto se orgulham!
E assim fiz nove pessoas felizes!
12.02.2010
É ciência
A progenitora diz: "olhei para o céu e vi um bando de gaivotas a voar em "v" e depois olhei para o rio e vi um cardume de peixes a nadar também em "v". Um homem chinês disse que tudo o que existe no céu existe no mar, como se fosse um reflexo".
Lamentei desiludi-la, mas não pude resistir: é apenas uma questão de aerodinâmica, tal como acontece no ciclismo. Ao voarem/nadarem/pedalarem atrás da ave/peixe/ciclista que lidera, poupam energia uma vez que aproveitam a deslocação do ar/água, onde a resistência é menor. É por a liderança ser mais cansativa do que seguir pelo caminho já trilhado que se vão revezando nessa tarefa.
E assim estraguei uma reflexão de um fim-de-semana à beira mar .. mas o meu pragmatismo estava descontrolado: é giro? sim .. mas é apenas física!
(Bem, não será apenas aerodinâmica, o instinto de sobrevivência também terá aqui uma palavrinha - também permite um melhor campo de visão - , mas não deixa de ser uma questão eminentemente física!)
11.10.2010
Handicap
O progenitor diz: "então estou a ligar para o avô e continua a ligar para o gás?!". Acaba por decidir recorrer ao auxílio de terceiros, neste caso da filha, sempre pronta a suprir os seus défices visuais, confirmando a sua impressão: "Aqui diz Avós, não diz?"
Não dizia .. dizia gás! Parece-me que, a cada dia que passa, o progenitor se assemelha mais a uma toupeira!
10.25.2010
Emancipação
Ontem emancipei-me definitivamente!
O que espoletou (obrigada Gersão pela tua infinita sabedoria =) o verbo deriva da palavra "espoleta" e, aparentemente, o verbo "despoletar", apesar de dito amiúde, não consta do dicionário) tal acontecimento? Ter tido de passar os meus lençóis a ferro!
Aparentemente é um acontecimento trivial, sobretudo quando, há muito, aprendi a gerir as tarefas domésticas: desde adolescente que a minha roupa é segregada, cabendo-me cuidar dela semanalmente, limpo a casa - sem os progenitores presentes porque não gosto que me importunem e questionem os meus métodos -, cozinho ... mas passar a ferro os lençóis é um marco.
Vivendo numa casa que funciona em esquema de residência de estudantes, habituei-me a não dar como certa a existência de provisões no frigorífico e a ver o pó acumular-se nas prateleiras até que alguém, atacado por alergias incapacitantes, se veja obrigado, entre espirros e olhos lacrimejantes, a fazer a limpeza anual. Tal como me habituei a só comer torradas e a gostar de côdeas de pão seco - aliás, quanto mais secas melhor, o que só pode entender-se como uma manifestação de um apurado instinto de sobrevivência, prova irrefutável da evolução das espécies (para quem ainda tinha dúvidas)!
Mas ter de passar a ferro os meus lençóis é um inédito e consubstancia uma viragem fulcral no meu processo de crescimento, provando em definitivo que me basto a mim mesma.
Os progenitores surgem, hoje, apenas como indicadores do índice de subversão do sistema relacional que instituímos em nossa casa.
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